Capex no saneamento
Os investimentos de longo prazo, essenciais para a expansão, implantação ou substituição de ativos fixos de saneamento, são conhecimentos como Capex (Capital Expenditure), ou despesas de capital. O Capex abrange a construção de infraestruturas vitais, como redes coletoras, Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), interceptores e elevatórias.

A importância de um CAPEX preciso é central, pois ele é o volume de capital que determinará a capacidade do prestador de serviço em cumprir as exigentes metas de universalização do Novo Marco Legal do Saneamento, que demandam 90% da população com coleta e tratamento de esgoto até o ano de 2033. Um Capex ajustado é fundamental, pois garante a infraestrutura necessária para a expansão da cobertura, exigindo um planejamento rigoroso que considere a curva de crescimento populacional e as características técnicas de cada área.
Além disso, por ser o maior componente de custo de um projeto, a estimativa correta do Capex é crucial para a viabilidade econômico-financeira da concessão, assegurando que o projeto seja atrativo para investidores (com um VPL positivo e TIR adequada) sem que a tarifa de saneamento se torne excessivamente onerosa para os usuários.

Erros no dimensionamento do Capex, por sua vez, acarretam consequências severas que podem comprometer toda a concessão e a qualidade do serviço. Um Capex subestimado gera um desequilíbrio econômico-financeiro imediato, pois o prestador não terá capital suficiente para realizar as obras essenciais. Isso leva à inadimplência contratual, falha no atingimento das metas de universalização e, frequentemente, à necessidade de solicitar uma Revisão Tarifária Extraordinária, resultando em um aumento súbito de tarifa para o consumidor ou no aporte de capital público. Por outro lado, um Capex superestimado torna o modelo inviável por comprometer a Modicidade Tarifária, elevando o custo final para o usuário de forma insustentável. Tal erro afasta investidores privados nos leilões e, se contratado, corre o risco de promover o sobreinvestimento ineficiente, aumentando o custo do serviço sem benefícios proporcionais.
Desta forma, principalmente em concessionárias de larga escala, o Capex não precisa apenas ser ajustado em relação ao objeto de estudo, mas, também, em relação a todo o negócio, para não comprometer a saúde financeira da própria concessionária.
Um exemplo, é a situação vivida pela Aegea, que teve seu rating rebaixado pela S&P, com nota BB a emissão de blue bonds. De acordo com a S&P: “Para amparar as expansões e melhorias operacionais, projetamos capex de aproximadamente R$ 24 bilhões entre 2025 e 2027, levando a um déficit de FOCF de quase R$ 5 bilhões em 2025 e mais de R$ 3 bilhões em 2026”. Em resumo: projeção indica que a empresa está entrando em um período de investimento intensivo que consumirá mais capital do que a receita operacional consegue gerar imediatamente, levando a uma necessidade temporária de financiamento externo.
Essa projeção não é necessariamente negativa; é uma característica típica de projetos de infraestrutura de longo prazo, especialmente em fases iniciais de concessões ou projetos de expansão acelerada.
Por este motivo, a precisão na estimativa do CAPEX é uma função que integra engenharia, economia e regulação. Um Capex incorreto pode gerar gerando risco de liquidez e atraso no cumprimento das metas.
S&P rebaixa rating da Aegea e atribui nota BB a emissão de blue bonds. Disponível em: https://einvestidor.estadao.com.br/ultimas/sp-rebaixa-rating-aegea-bb-blue-bonds/
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Compartilhe sua opinião nos comentários! Escrito por Nathália Miranda Chagas Produção Virtual: Hannah Sloboda



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